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domingo, 13 de setembro de 2026

O Inverno de Dentro na Primavera de Fora

 Setembro tenta ser bonito. A rua se enfeita de ipês, o vento perde o dente frio do inverno e o sol promete um começo de ano novo particular. Mas, para quem carrega o peito apertado pela ansiedade ou o corpo pesado pela depressão, a estação das flores parece uma cobrança.

Como florescer quando a alma está sem raiz?

A ansiedade vive no futuro, correndo atrás de um relógio que não para. Ela inventa perigos, acelera o passo e sua as mãos antes mesmo do sol nascer. Já a depressão mora no passado ou no vazio do agora. Ela tira a cor das xícaras de café, pesa nas pálpebras e sussurra que o mundo seria igual sem a nossa presença.

E então vem setembro. O mês veste o laço amarelo. Nos lembramos de falar sobre a vida, sobre o peso que esmaga silenciosamente tantos vizinhos, amigos e amores. É o mês em que o invisível ganha holofote.

Que bom que falamos. Mas que não seja só em setembro. Que a coragem de dizer "eu não estou bem" encontre ouvidos prontos em outubro, em novembro e em qualquer terça-feira cinzenta de março. Cuidar da mente é um ato diário. É aceitar que dias ruins acontecem e que pedir ajuda não é fraqueza, mas o primeiro passo para ver o amarelo florir de verdade, também por dentro.

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